Catálogo

55 começos

de Manoel Ricardo de Lima

224 páginas. R$ 30,00

"Em meio ao ranço de doença que impregna o ar do mundo, Manoel Ricardo de Lima ousa puxar conversa sobre a saúde e o imperativo que é gozá-la o mais intensamente possível. (...) Que saibamos fazer chegar esses fios de "fala inacabada" (para lembrar, desta feita, o lindo livro que ele fez, como poeta, em parceria com a artista visual Elida Tessler) aos debates acadêmicos, às salas de aula, às rodas literárias e a todo canto, enfim, onde a poesia e a literatura ainda façam algum sentido.(...) é fundamental que busquemos recuperar a dimensão estritamente cultural (porque vinculada à vida da coletividade, e não ao tilintar opressivo das moedas) da poesia e da literatura. E isso tem de sobra nesta intensa, comovente e essencial coleção de artigos com que Manoel Ricardo de Lima nos dá o que pensar."

Do Prefácio de Ricardo Aleixo

Manoel Ricardo de Lima (Parnaíba, no Piauí, 1970) é professor e doutor em Teoria da Literatura (UFSC). Publicou Embrulho (7Letras); Falas Inacabadas - Objetos e um Poema, com Elida Tessler (Tomo Editorial); Entre Percurso e Vanguarda - alguma poesia de P. Leminski (Annablume), As Mãos (7Letras), outra manhã, com Anibal Cristobo e Eduardo Frota (Dragão do Mar) e As Mãos / The Hands, com tradução de Sérgio Bessa (Lumme Editor), Quando todos os acidentes acontecem (7 Letras, 2010). Organizou com Isabella Marcatti o livro de narrativas A Visita (Barracuda). Coordena a coleção Móbile de mini-ensaios para a Lumme Editor (SP). Vive no Rio de Janeiro.

Trecho:

" E se aproximamos estas disciplinas como uma coisa só, dentro de um mesmo campo de tensões, um mesmo campo problemático, princípio mais interessante e inteligente, a meu ver, a dose é a mesma. E aí, tanto faz o caminho, o percurso, o de onde se parte; e passa a importar o quanto se tensiona mais ainda o próprio campo. E aí não também um entre-linguagens, mas uma mesma linguagem que é uma e outra ao mesmo tempo. Não sendo si sendo outro, sendo si sem deixar de ser outro etc etc. As combinações são inúmeras, um sem número delas.

Mas bonito pensar que um livro pode ser um leque. É uma imagem preciosa. Porque assim, como apenas imagem, o objeto pode também remeter a certas coisas que é apenas uma aproximação da imagem, como por exemplo: o livro como uma idéia de ventilação, de frescor, de fresta, de janela, de espaço por onde entra o ar quente do verão, o vento frio do inverno e por aí vai. Pode também remeter a outras coisas que seriam uma distância da imagem: o livro como um acordeão, como uma sonoridade de palhetas metálicas. E aí, mais longe, é possível lembrar da sanfona de Luiz Gonzaga e crer de pés juntos que ele segurava e tocava um livro, um calhamaço, e de lá retirava os seus baião, xote, forró e xaxado: fazia livros-jazz. O que seria o livro como um livro- objeto, como uma interdição, um ponto no espaço: o livro como lugar, como afetividade."

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