Catálogo
Conversas, diferença n.1 (ensaios)
organização de Júlia Studart e Davi Pessoa
198 páginas. R$ 25,00
Este livro tem um formato redondo e irregular ao mesmo tempo, e procura cumprir o sentido mais aberto que uma conversa pode ter: alguma diferença, tudo pode ser diferente. O movimento em direção ao formato comum - que é o de reunir textos dispersos, numa circunstância aparentemente forçada de conjunto - é possível de ser desfeito quando a nota de rodapé que se ajusta a esta dispersão, e que está por todo lado, tem outro caráter, mais perto da mão e da implicação de sustentar esta conversa tão diferente entre todos os presentes aqui, com seus textos e impasses, pesquisas e esforços, dúvidas e aprendizagem, muita aprendizagem. A nota de rodapé avisa de uma linha afetiva que brinca de roda, uma linha amarela como a dança de Matisse, mas que por outro lado também é pensa, torta, manca e resvala com força e alumbramento em nosso gesto amigo, como a outra dança de roda que ilustra a capa.
Trecho:
"Em que consistiria essa abertura senão em uma abertura da própria imagem, em seu movimento contínuo de sístole e diástole, pois a imagem também pulsa, uma vez que se encontre aberta ao corpo do espectador. Nesse aspecto, o ponto de encontro do excerto da narrativa de Nuno Ramos com o pensamento de Georges DidiHuberman pode, talvez, se situar em uma fotografia. Trata-se de uma fotografia de João Castilho que pertence ao livro Paisagem submersa, lançado em 2008, no mesmo ano do livro de Nuno Ramos. A imagem é a de um crânio sem a mandíbula inferior, cujo vazio das cavidades - nasais e dos olhos - se encontra preenchido pela terra. A imagem do crânio é frontal e essa frontalidade cria o incômodo de pensar algo "inelutável": quem nos olha?".

